Sora olhou para a rapariga que se encontrava à sua frente, de joelhos e com os braços cruzados sobre o peito. Tinha agora uma expressão confusa no rosto. "Aquela voz, seria dela?" perguntou-se em silencio sem quebrar o contacto visual com ela. Tinha uns olhos lindos, lilases como as flores com rasgos de branco e purpura misturados. Havia dor e tristeza naqueles olhos, elementos que os tornavam incrivelmente belos e diferentes de tudo o que já vira, grandes e cristalinos com a pupila em forma de elipse. Os longos cabelos doirados ligeiramente encaracolados escorriam sobre os seus braços emoldurando o rosto da jovem de forma a realçar o rosto. O rapaz encontrava-se hipnotizado pela jovem, ele que nunca antes tinha reparado numa mulher.
- Erm... Erm... - quis pedir desculpa aquele ser frágil, mas as palavras agarravam-se à sua garganta, recusando serem expelidas.
- Des-desculpa o meu grito... - disse ela de voz tremula e frágil, como se a qualquer segundo se fosse desmanchar em lágrimas. - Sa-sabes como viemos aqui parar? - terminou olhando para Sora que lhe retribuiu um olhar de confusão.
"Mas que raio... Que estará ela a tentar dizer-me?" pensou para si enquanto escutou o idioma que lhe era desconhecido. Levantou-se lentamente com ambas as mãos erguidas, de palmas viradas para a rapariga. pois esta podia não entender a sua língua, mas de certeza que ela entenderia o gesto como uma garantia que não a magoaria. Quando completamente em pé olhou em redor para avaliar o terreno.
- Mas que diabo...! - disse em espanto, de olhos arregalados.
Lalafir levantou-se e olhou em redor imitando o rapaz, tendo uma reacção de espanto de igual intensidade. Encontravam-se num sitio que tanto um como o outro nunca havia visto. Ao seu redor, cataratas enormes que se estendiam tanto para o céu como para o centro da terra dos quais reflectiam múltiplos arco-íris, e sob os seus pés uma "ilha" de relva verde que, como tantas outras em seu redor, flutuava sobre o nada. Por instinto, Lalafir atirou-se para o rapaz, envolvendo-o com os seus braços enquanto mantinha os olhos fechados com força, como se habituara a fazer com Drille desde que era pequena. Não, aquele rapaz não era o Drille. Raios, nem da rua raça era. Cheirava a humano, aquele fedor de sangue e suor, odiava-o. Deu uma passada rápida para trás e olhou-o nos olhos, aquele patético e miserável humano, a causa de todos os seus problemas. "Se não fossem pelos humanos e as suas guerras... Se não fosse pela sua sede de sangue... Se não lhe tivessem morto a mãe... Ele ainda estaria vivo" pensou furiosamente enquanto o encarava de frente. Podia ser diferente de todos os outros, mas ainda era um humano, uma praga que governava o seu mundo.
- Amethyst Torden - Donner! - gritou de punho esquerdo seguido em direcção ao humano e com o outro cerrado paralelo à perna.
- Mas qu... - iniciou Sora, interrompendo-se para rebolar por baixo do raio lilás que surgiu da mão da rapariga - Que se passa contigo?! - terminou. esquecendo momentaneamente o facto de ela não compreender a sua linguagem.
Torden, torden e novamente torden. era a única palavra da frase que a sua adversária proferia que fora capaz de ouvir, e ao que parecia, de cada vez que ela o fazia, um curto raio lilás saia disparado da sua palma esquerda. Não a podia magoar, ela não passava de uma rapariga. Perigosa? Sim, sem dúvida, mas era ele capaz de a atacar? Não. Sora usava toda a sua habilidade para se esquivar dos raios, que tinha de ser muita visto que o campo de batalha não devia ter mais do que 5 metros desde o centro até aos limites irregulares.
- Edelstein - Rubi! - disse com uma voz carregada de raiva e os seus olhos mudaram de cor, abandonando o lilás para dar lugar a um vermelho claro - Rubi Torden - Dreizack Karmesin! - proferiu seguidamente.
O samurai olhou rapidamente para ela e notou o quão ofegante se encontrava. Sentiu uma corrente de ar passar por ele em direcção a mão direita da rapariga que se encontrava agora, concentrando-se na mão direita. Um tridente vermelho cristal materializou-se prontamente sobre a palma da sua invocadora, que o arremessou velozmente.
Lalafir sentiu o corpo colapsar sob si mesmo devido ao esforço que tinha feito. "Regra nº 1 do Drille - nunca alcançar o teu limite" lembrou-se do que ele lhe costumava dizer durante as aulas, sempre com um rosto sorridente. Agora ele fora-se e tudo por causa do maldito humano. Piscou os olhos, e quando os abriu o rapaz tinha desaparecido. A rapariga aproximou-se do limite da "ilha" e olhou para baixo, vendo cerca de 30 metros abaixo de si o brilho de uma espada a ser desembainhada e ouviu o metal a arranhar terra e rocha enquanto o seu adversário cravava a espada noutra "ilha" e rodava sobre si mesmo para aterrar numa terceira. "Humano persistente... Se e assim que queres, morre!" pensou esboçando um leve sorriso retorcido e estalando os dedos. O tridente que se encontrava já dezenas de metros à sua frente multiplicou-se em 3, que alteraram a sua rota e se dirigiam agora contra o rapaz. Estalou mais duas vezes, o limite da técnica e agora 81 tridentes voavam contra o seu inimigo. Sentia-se com sono e fraca. Sentiu as pernas a ceder e mergulhou no ar, rodeada de uma chuva vermelha e letal.
O guerreiro olhou para cima e ficou assustado por momentos breves ao ver que o tridente que a rapariga atirara contra si dera lugar agora a dezenas de réplicas. Tinha segundos antes que a chuva de armas se abatesse sobre si, por isso tinha de se concentrar e ser rápido. Libertou o selo da mão direita, que se começou a transformar imediatamente, e segurou a sua espada firmemente em frente da sua cara. Fechou os olhos e entoou um mantra que um velho monge lhe ensinara uma vez
- Watashi wa fukusū no hi no tame ni shinigami no tsumetai ha o sakeru koto ga dekiru yō ni kaji wa, watashi no ken o michibiku!- [Fogo, guia a minha espada para que eu possa evitar a lâmina fria do Senhor da Morte por mais um dia!]
A lâmina da espada iluminou-se e línguas de fogo começaram a emergir do metal agora laranja vivo. Sora conseguia ouvir os tridentes a abaterem-se sobre si. "1. 2." contou mentalmente "3!" e abriu os olhos, disferindo um golpe no ar com a sua katana e outro com o seu braço, ambos enviando duas longas línguas de energia pelo ar, desfazendo algumas das armas em que tocavam. O samurai pelo ar diferindo as armas que o atacavam, tanto com a sua arma como com o seu braço. Voltou a aterrar na "ilha" e mais lanças o perseguiram, obrigando-o a cortar através delas e a embater nelas de forma a quebra-las. Agarrou então numa das armas com o se braço descomunal e rodopiou-a na mão, improvisando um escudo que quebrou ouros tanto projecteis. Foi quando olhou de volta para a ilha onde a rapariga estava que reparou num corpo dourado que caia como uma rocha pelo ar húmido que abraçava as "ilhas". "Raios! Não tenho espaço suficiente" pensou ao olhar para trás e ao aperceber-se que já estava no limite da "ilha". "Tenho de tentar na mesma!" disse para consigo dando lugar a uma partida rápida pela relva. Retraiu o braço direito para a sua forma original para ganhar velocidade e perder peso e deflectiu as ultimas duas armas voadoras com a espada sem abrandar a corrida, e saltou, esticando o corpo desde a cabeça até a ponta do pé.
- Kasai wa, watashi ni anata no chikara o kashite! [Fogo, empresta-me o teu poder!] - berrou antes de uma enorme língua de fogo surgir da sua espada que funcionou como um propulsor por cerca de 2 segundos, deixando a seguir a espada cair pelas profundezas das cataratas.
Esticou os braços e envolveu a rapariga encostando a sua cabeça delicada contra o seu peito. Estavam a poucos metros da ilha mais próxima, mas a velocidade tinha-se dissipado e a queda tinha começado de novo. O pânico cresceu em si e apoderou-se da sua mente. Ia morrer, de novo. Bem, pelo menos desta vez tinha tentado proteger a outra pessoa e não mata-la. E de repente, parou. A queda, o movimento das águas, o vento, tudo. Sora tinha os olhos cerrados com toda a força que possuía e foi só quando sentiu o cheiro a relva que abriu os olhos. " O que se passa aqui?" interrogou-se enquanto libertava a rapariga do seu aperto. Sentiu o seu bafo ligeiro nas costas da mão direita e soube que estava viva. Devia ter colapsado devido ao esforço que tinha feito durante a sua luta. Mais aliviado, o rapaz pôs-se de gatas e olhou em redor. Estava na "ilha" inicial, mas como é que tinha chegado ai?
- Acho que eu te posso responder a isso - disse um homem que se encontrava de contas para ele, enquanto se virava. Vestia um longo casaco preto, umas calças de cabedal pretas e uns sapatos pretos. Na cara tinha um par de óculos escuros que ocultavam os olhos dele e o cabelo preto encontrava-se puxado para trás com gel.
- Tu falas a minha língua?! Mas és claramente um gaijin! [estrangeiro] Como? - perguntou o rapaz, confuso com tudo aquilo.
- Primeiro de tudo, as apresentações, ou os costumes deixam de ser válidos uma vez fora da tua terra? - contrapôs o estranho - O meu nome é Neo e sou Juiz, ou Arbitro, se preferires, do Nexus.
- Erm... - Sora estava ainda mais confuso. "Fora da tua terra?" que queria o estranho homem dizer com aquilo? mas ainda assim tinha de respeitar as regras de etiqueta - O meu nome é Kurokaze Sora. Agora, se for possivel, gostaria de uma explicação do que se passa.
- Assim está melhor não concordas? - perguntou retórica mente o homem esboçando um sorriso mesquinho - Suponho que isto não seja fácil de absorver mas foste escolhido ao acaso por um "deus" para fazeres parte de uma... Batalha, competição, como quiseres chamar-lhe, chamada Nexus.
- Muito bem - disse o samurai após considerar o que lhe havia sido dito nesse instante. - Então e em que consiste o... Nexus, é? E porque é que sabes a minha linguagem e a falas sem falhas?
- Oh, temos aqui um sedento de conhecimento - disse gargalhando ligeiramente com a própria piada - Quanto à linguagem: a partir do momento em que o Nexus é iniciado, todos os participantes e Árbitros conseguem entender e falar todas as línguas que surjam durante a competição. E o Nexus? Não passa de uma piada dos "deuses" - fez uma pequena pausa para observar a rapariga inconsciente - Não te esqueças de lhe transmitir isto tudo depois. Esta "piada" trata-se de uma corrida contra o tempo e contra outra equipa. Existem 2 equipas, cada uma com 12 membros e como objectivo, pelo menos um desses membros tem de alcançar o centro do Nexus, a Armillian, uma esfera à qual se chegares te dará poder para fazeres o que bem entenderes. Voltar a casa, ser um deus, acabares com a existência de tudo,etc.
- Ente qual é o limite de tempo? E para que servem os árbitros? - o rapaz tinha anotado mentalmente todas as palavras do Arbitro.
- Ah ah, gosto de ti miudo, és dos meus. - riu-se Neo antes de prosseguir - Os Arbitros foram escolhidos especialmente pelos deuses para impedir coisas estúpidas de interferirem com os jogadores, como mortes inúteis antes do inicio do jogo - E desatou a rir com a piada que acabara de fazer - Ai, desculpa... O tempo limite não era? Bem tens 90 dias para chegar à Armillian. Depois disso, KABOOM!! game over, finito, el fin, tas a ver onde estou a chegar? - e virou as costas ao rapaz para chegar ao limite da "ilha"
- Sim... Ultima coisa.
- Claro campeão, tudo o que quiseres.
- Como é que sei quem é da minha equipa?
- Os que forem da tua equipa têm uma tatuagem igual a que tens na tua pálpebra direita, simples. os que não forem, têm outra - e saltou ganhando cada vez mais velocidade, abandonando o rapaz e as suas duvidas - BOM JOGO!!! - gritou ao longe antes de desaparecer na névoa centenas de metro atrás.
"Bonito... E agora o que é que faço?"
- Erm... Erm... - quis pedir desculpa aquele ser frágil, mas as palavras agarravam-se à sua garganta, recusando serem expelidas.
- Des-desculpa o meu grito... - disse ela de voz tremula e frágil, como se a qualquer segundo se fosse desmanchar em lágrimas. - Sa-sabes como viemos aqui parar? - terminou olhando para Sora que lhe retribuiu um olhar de confusão.
"Mas que raio... Que estará ela a tentar dizer-me?" pensou para si enquanto escutou o idioma que lhe era desconhecido. Levantou-se lentamente com ambas as mãos erguidas, de palmas viradas para a rapariga. pois esta podia não entender a sua língua, mas de certeza que ela entenderia o gesto como uma garantia que não a magoaria. Quando completamente em pé olhou em redor para avaliar o terreno.
- Mas que diabo...! - disse em espanto, de olhos arregalados.
Lalafir levantou-se e olhou em redor imitando o rapaz, tendo uma reacção de espanto de igual intensidade. Encontravam-se num sitio que tanto um como o outro nunca havia visto. Ao seu redor, cataratas enormes que se estendiam tanto para o céu como para o centro da terra dos quais reflectiam múltiplos arco-íris, e sob os seus pés uma "ilha" de relva verde que, como tantas outras em seu redor, flutuava sobre o nada. Por instinto, Lalafir atirou-se para o rapaz, envolvendo-o com os seus braços enquanto mantinha os olhos fechados com força, como se habituara a fazer com Drille desde que era pequena. Não, aquele rapaz não era o Drille. Raios, nem da rua raça era. Cheirava a humano, aquele fedor de sangue e suor, odiava-o. Deu uma passada rápida para trás e olhou-o nos olhos, aquele patético e miserável humano, a causa de todos os seus problemas. "Se não fossem pelos humanos e as suas guerras... Se não fosse pela sua sede de sangue... Se não lhe tivessem morto a mãe... Ele ainda estaria vivo" pensou furiosamente enquanto o encarava de frente. Podia ser diferente de todos os outros, mas ainda era um humano, uma praga que governava o seu mundo.
- Amethyst Torden - Donner! - gritou de punho esquerdo seguido em direcção ao humano e com o outro cerrado paralelo à perna.
- Mas qu... - iniciou Sora, interrompendo-se para rebolar por baixo do raio lilás que surgiu da mão da rapariga - Que se passa contigo?! - terminou. esquecendo momentaneamente o facto de ela não compreender a sua linguagem.
Torden, torden e novamente torden. era a única palavra da frase que a sua adversária proferia que fora capaz de ouvir, e ao que parecia, de cada vez que ela o fazia, um curto raio lilás saia disparado da sua palma esquerda. Não a podia magoar, ela não passava de uma rapariga. Perigosa? Sim, sem dúvida, mas era ele capaz de a atacar? Não. Sora usava toda a sua habilidade para se esquivar dos raios, que tinha de ser muita visto que o campo de batalha não devia ter mais do que 5 metros desde o centro até aos limites irregulares.
- Edelstein - Rubi! - disse com uma voz carregada de raiva e os seus olhos mudaram de cor, abandonando o lilás para dar lugar a um vermelho claro - Rubi Torden - Dreizack Karmesin! - proferiu seguidamente.
O samurai olhou rapidamente para ela e notou o quão ofegante se encontrava. Sentiu uma corrente de ar passar por ele em direcção a mão direita da rapariga que se encontrava agora, concentrando-se na mão direita. Um tridente vermelho cristal materializou-se prontamente sobre a palma da sua invocadora, que o arremessou velozmente.
Lalafir sentiu o corpo colapsar sob si mesmo devido ao esforço que tinha feito. "Regra nº 1 do Drille - nunca alcançar o teu limite" lembrou-se do que ele lhe costumava dizer durante as aulas, sempre com um rosto sorridente. Agora ele fora-se e tudo por causa do maldito humano. Piscou os olhos, e quando os abriu o rapaz tinha desaparecido. A rapariga aproximou-se do limite da "ilha" e olhou para baixo, vendo cerca de 30 metros abaixo de si o brilho de uma espada a ser desembainhada e ouviu o metal a arranhar terra e rocha enquanto o seu adversário cravava a espada noutra "ilha" e rodava sobre si mesmo para aterrar numa terceira. "Humano persistente... Se e assim que queres, morre!" pensou esboçando um leve sorriso retorcido e estalando os dedos. O tridente que se encontrava já dezenas de metros à sua frente multiplicou-se em 3, que alteraram a sua rota e se dirigiam agora contra o rapaz. Estalou mais duas vezes, o limite da técnica e agora 81 tridentes voavam contra o seu inimigo. Sentia-se com sono e fraca. Sentiu as pernas a ceder e mergulhou no ar, rodeada de uma chuva vermelha e letal.
O guerreiro olhou para cima e ficou assustado por momentos breves ao ver que o tridente que a rapariga atirara contra si dera lugar agora a dezenas de réplicas. Tinha segundos antes que a chuva de armas se abatesse sobre si, por isso tinha de se concentrar e ser rápido. Libertou o selo da mão direita, que se começou a transformar imediatamente, e segurou a sua espada firmemente em frente da sua cara. Fechou os olhos e entoou um mantra que um velho monge lhe ensinara uma vez
- Watashi wa fukusū no hi no tame ni shinigami no tsumetai ha o sakeru koto ga dekiru yō ni kaji wa, watashi no ken o michibiku!- [Fogo, guia a minha espada para que eu possa evitar a lâmina fria do Senhor da Morte por mais um dia!]
A lâmina da espada iluminou-se e línguas de fogo começaram a emergir do metal agora laranja vivo. Sora conseguia ouvir os tridentes a abaterem-se sobre si. "1. 2." contou mentalmente "3!" e abriu os olhos, disferindo um golpe no ar com a sua katana e outro com o seu braço, ambos enviando duas longas línguas de energia pelo ar, desfazendo algumas das armas em que tocavam. O samurai pelo ar diferindo as armas que o atacavam, tanto com a sua arma como com o seu braço. Voltou a aterrar na "ilha" e mais lanças o perseguiram, obrigando-o a cortar através delas e a embater nelas de forma a quebra-las. Agarrou então numa das armas com o se braço descomunal e rodopiou-a na mão, improvisando um escudo que quebrou ouros tanto projecteis. Foi quando olhou de volta para a ilha onde a rapariga estava que reparou num corpo dourado que caia como uma rocha pelo ar húmido que abraçava as "ilhas". "Raios! Não tenho espaço suficiente" pensou ao olhar para trás e ao aperceber-se que já estava no limite da "ilha". "Tenho de tentar na mesma!" disse para consigo dando lugar a uma partida rápida pela relva. Retraiu o braço direito para a sua forma original para ganhar velocidade e perder peso e deflectiu as ultimas duas armas voadoras com a espada sem abrandar a corrida, e saltou, esticando o corpo desde a cabeça até a ponta do pé.
- Kasai wa, watashi ni anata no chikara o kashite! [Fogo, empresta-me o teu poder!] - berrou antes de uma enorme língua de fogo surgir da sua espada que funcionou como um propulsor por cerca de 2 segundos, deixando a seguir a espada cair pelas profundezas das cataratas.
Esticou os braços e envolveu a rapariga encostando a sua cabeça delicada contra o seu peito. Estavam a poucos metros da ilha mais próxima, mas a velocidade tinha-se dissipado e a queda tinha começado de novo. O pânico cresceu em si e apoderou-se da sua mente. Ia morrer, de novo. Bem, pelo menos desta vez tinha tentado proteger a outra pessoa e não mata-la. E de repente, parou. A queda, o movimento das águas, o vento, tudo. Sora tinha os olhos cerrados com toda a força que possuía e foi só quando sentiu o cheiro a relva que abriu os olhos. " O que se passa aqui?" interrogou-se enquanto libertava a rapariga do seu aperto. Sentiu o seu bafo ligeiro nas costas da mão direita e soube que estava viva. Devia ter colapsado devido ao esforço que tinha feito durante a sua luta. Mais aliviado, o rapaz pôs-se de gatas e olhou em redor. Estava na "ilha" inicial, mas como é que tinha chegado ai?
- Acho que eu te posso responder a isso - disse um homem que se encontrava de contas para ele, enquanto se virava. Vestia um longo casaco preto, umas calças de cabedal pretas e uns sapatos pretos. Na cara tinha um par de óculos escuros que ocultavam os olhos dele e o cabelo preto encontrava-se puxado para trás com gel.
- Tu falas a minha língua?! Mas és claramente um gaijin! [estrangeiro] Como? - perguntou o rapaz, confuso com tudo aquilo.
- Primeiro de tudo, as apresentações, ou os costumes deixam de ser válidos uma vez fora da tua terra? - contrapôs o estranho - O meu nome é Neo e sou Juiz, ou Arbitro, se preferires, do Nexus.
- Erm... - Sora estava ainda mais confuso. "Fora da tua terra?" que queria o estranho homem dizer com aquilo? mas ainda assim tinha de respeitar as regras de etiqueta - O meu nome é Kurokaze Sora. Agora, se for possivel, gostaria de uma explicação do que se passa.
- Assim está melhor não concordas? - perguntou retórica mente o homem esboçando um sorriso mesquinho - Suponho que isto não seja fácil de absorver mas foste escolhido ao acaso por um "deus" para fazeres parte de uma... Batalha, competição, como quiseres chamar-lhe, chamada Nexus.
- Muito bem - disse o samurai após considerar o que lhe havia sido dito nesse instante. - Então e em que consiste o... Nexus, é? E porque é que sabes a minha linguagem e a falas sem falhas?
- Oh, temos aqui um sedento de conhecimento - disse gargalhando ligeiramente com a própria piada - Quanto à linguagem: a partir do momento em que o Nexus é iniciado, todos os participantes e Árbitros conseguem entender e falar todas as línguas que surjam durante a competição. E o Nexus? Não passa de uma piada dos "deuses" - fez uma pequena pausa para observar a rapariga inconsciente - Não te esqueças de lhe transmitir isto tudo depois. Esta "piada" trata-se de uma corrida contra o tempo e contra outra equipa. Existem 2 equipas, cada uma com 12 membros e como objectivo, pelo menos um desses membros tem de alcançar o centro do Nexus, a Armillian, uma esfera à qual se chegares te dará poder para fazeres o que bem entenderes. Voltar a casa, ser um deus, acabares com a existência de tudo,etc.
- Ente qual é o limite de tempo? E para que servem os árbitros? - o rapaz tinha anotado mentalmente todas as palavras do Arbitro.
- Ah ah, gosto de ti miudo, és dos meus. - riu-se Neo antes de prosseguir - Os Arbitros foram escolhidos especialmente pelos deuses para impedir coisas estúpidas de interferirem com os jogadores, como mortes inúteis antes do inicio do jogo - E desatou a rir com a piada que acabara de fazer - Ai, desculpa... O tempo limite não era? Bem tens 90 dias para chegar à Armillian. Depois disso, KABOOM!! game over, finito, el fin, tas a ver onde estou a chegar? - e virou as costas ao rapaz para chegar ao limite da "ilha"
- Sim... Ultima coisa.
- Claro campeão, tudo o que quiseres.
- Como é que sei quem é da minha equipa?
- Os que forem da tua equipa têm uma tatuagem igual a que tens na tua pálpebra direita, simples. os que não forem, têm outra - e saltou ganhando cada vez mais velocidade, abandonando o rapaz e as suas duvidas - BOM JOGO!!! - gritou ao longe antes de desaparecer na névoa centenas de metro atrás.
"Bonito... E agora o que é que faço?"